Hoje existem dezenas de aplicativos de Pomodoro gratuitos, bonitos, com estatística, som de floresta, integração de calendário. Qualquer um deles contaria os mesmos 25 minutos que o meu conta.
Escrevi o meu assim mesmo.
A justificativa óbvia não é a verdadeira
No começo, a resposta que eu dava era sobre controle: eu queria um
campo de "Projeto" além de "Tarefa", queria exportar um .txt
sem conta, sem sincronização, sem ninguém guardando meus dados num
servidor que não é meu. Tudo isso é verdade. Nada disso é o motivo real.
Dá pra chegar perto desse controle customizando um app pronto — ou simplesmente aceitando não ter os últimos 10%. A maioria das pessoas aceita. Faz sentido: o tempo que eu gastei escrevendo um timer, eu poderia ter gastado só usando um.
O que construir obriga a decidir
Um app pronto já chega com centenas de decisões tomadas por outra pessoa: quantos minutos por padrão, se toca som, se pede cadastro, se mostra uma sequência de dias pra te fazer sentir culpado no dia que você não abre. Você aceita o pacote inteiro ou procura outro app.
Construir o meu significou tomar cada uma dessas decisões sozinho, uma de cada vez. E responder uma pergunta pequena — "esse timer vai pedir login?" — sempre acabava forçando uma resposta maior: o que essa ferramenta é pra mim, especificamente, sem pensar em mais ninguém que fosse usá-la.
Não tem sequência de dias no meu Foco. Não tem nada competindo pela atenção depois que o arco termina de se preencher. Essa não é uma escolha de produto. É uma escolha sobre que tipo de pressão eu quero sentir enquanto trabalho — e qual eu não quero.
Um app genérico é feito pra servir todo mundo, então não decide nada de verdade sobre ninguém. O que você constrói pra si mesmo é a única ferramenta do mundo que sabe exatamente do que você foge.
Esta ferramenta, por exemplo
Semana passada troquei o mostrador do Foco inteiro. Saiu um relógio genérico — ponteiro, arco e número contando a mesma coisa três vezes — e entrou um sol cruzando um horizonte numa escala fixa de trinta minutos, com uma agulha fina ligando o centro ao sol, como o braço de um sextante medindo sua altura. Nenhum app pronto chegaria a essa decisão — não por ser difícil de programar, mas por não fazer sentido pra ninguém além de mim: é referência a uma marca que só existe porque é a minha.
E agora que existe, essa ferramenta virou outra coisa: uma estrutura fora de mim, ditando como meus dias de trabalho se dividem. Não decido mais, toda manhã, se vou trabalhar em blocos de 25 minutos — o Foco já decidiu isso há semanas, e eu só sigo. É a mesma lição do texto anterior, ao contrário: da última vez, a estrutura externa era uma pessoa. Dessa vez, eu construí a minha.
E se as minhas decisões fizeram sentido pra você, use à vontade: clique aqui e use o Pomodoro pra criar coisas novas.
Aqui vai uma lista rápida das funcionalidades:
- Projeto e Tarefa — dois campos, não um. Trocar de tarefa no meio de um bloco fica registrado com uma seta, em vez de apagar o que você tinha decidido antes.
- Foco 25 · Pausa 5 · Pausa 15 — troca sozinho pra pausa longa a cada 4 ciclos completos.
- Mostrador em arco — o sol cruzando o horizonte numa escala fixa de 30 minutos, sem sobra de um relógio de 60.
- Os "sóis" do dia — cada foco concluído vira um círculo abaixo do número, um sol que já passou.
- Atalhos de teclado — espaço inicia e pausa, R reinicia.
- Exportar em .txt — a sessão do dia inteira, com total de horas e quebra por projeto.
- Sem login, sem conta, sem nuvem — tudo fica só no seu navegador.